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Teoria e a minha prática

No volume I da “Teoria da linguagem”, capítulo 9.24, página 259, 6.ª edição, José Herculano de Carvalho escreve que “a língua é um instrumento de pensar e comunicar”. No âmbito da tradução, as línguas envolvidas (a de partida e a de chegada) são isto mesmo “um instrumento de pensar e comunicar”. Sempre que recebo um texto para traduzir, o primeiro passo que dou é “passar os olhos” a esse mesmo texto. De uma forma geral, o texto parece ser fácil de traduzir, independentemente de ser técnico ou geral. Nem sempre há tempo para ler integralmente o texto de partida (Tp), sobretudo se este for relativamente longo. Por sua vez, o cliente também não pode aguardar muito tempo pela resposta de aceitação ou recusa da tradução. Aceito esse trabalho de tradução e leio, depois com mais calma, o texto de partida. Começo por reparar num ou noutro termo que desconheço ou me soa estranho dentro do contexto em questão. O processo de leitura do Tp vai-se tornando mais minucioso, à medida que vou fixando a minha atenção para unidades cada vez mais pequenas. A um primeiro reflexo, o Tp não parece suscitar problemas de tradução. No entanto, é inevitável, surge a expressão, que cito de Hans G. Hönig em “Übersetzen zwischen Reflex und Reflexion”, “Ich weiß nicht, was das heißt” (Não sei o que isto significa). De reflexo passo a uma fase de reflexão sobre o termo ou expressão do Tp que a tradução a um primeiro reflexo não correspondia. Tal como escreve Hönig – “Beim Übersetzungsvorgang führt der Übersetzer einen Dialog mit sich selbst. Er produziert Formulierungen, die er dann einer Kritik unterwirft” –, durante o processo de tradução, estabeleço várias vezes um diálogo comigo mesma (ou, pelo menos, um monólogo) levando-me a formular o texto e a submeter uma crítica sobre o mesmo, resultando, ou não, na sua reformulação. Inicialmente, lá atrás, a minha base de trabalho consistia essencialmente na fórmula de Laswell (tão abordada durante o meu curso), que pressupõe que o processo de tradução se pode basear em alguns aspetos internos e externos ao Tp e ao texto de chegada (Tc). A fórmula de Laswell é um esquema de orientação para o tradutor organizar o seu processo de tradução/reflexão. Alguns fatores são mais relevantes do que outros, conforme a área do Tp. É claro que, com o tempo, tudo se vai aprofundando e acabamos por enveredar por processos de tradução que, não descurando estes fatores, encontram outros termos para determinar fases do processo geral de tradução.